Papo de Terreiro

Olá meus Irmãos! Bora pra mais um Papo de Terreiro? 





E o assunto agora é:

Qual o significado de uma Gira de Umbanda?


Todos sabemos que os terreiros de umbanda realizam as giras; temos a gira de atendimento (ou coletiva) e a gira de desenvolvimento mediúnico. 

Mas o que representa este ritual? O que seu simbolismo nos diz? Qual o seu significado religioso? O que este ritual traz de benefícios para quem o pratica? Isso é o que tentaremos desvendar no texto abaixo:

Inicialmente podemos resumir que a função do ritual umbandista chamado “Gira” tem por função fazer com que, por meio da meditação, do gesto, da música tocada e cantanda, da dança, etc. tenhamos uma integração cada vez maior com o mundo sagrado, trazendo a experiência espiritual para dentro de nós e ampliando nossa consciência.


As Giras de desenvolvimento, é um dia dedicado a todos os filhos, para o aprendizado das práticas religiosas, dos mecanismos da incorporação, para o fortalecimento pessoal da coroa individual e para o conhecimento dos guias e orixás dos médiuns.

Os objetivos da Gira de Desenvolvimento são amplos, pois neste dia há um fortalecimento geral para a harmonia de todo o corpo mediúnico.

A Gira de Desenvolvimento mediúnico nos Terreiros tem por finalidade Básica, fazer com que o médium se acostume com o transe da incorporação. E é em prol desta ação, que a gira deveria se ater.

Assim, os terreiros com atabaque ou não, devem louvar e cantar para as almas na intenção de favorecer a incorporação do médium, lhe informar por exemplo, que o seu guia, é o da falange do ponto cantado, que mexer com seus dons mediúnicos.

Exemplo, Se eu participar de uma Gira de Exú, posso cantar e ouvir os pontos da gira e não ter nenhuma manifestação espiritual, se nela não for louvado o exú que é o meu guardião.

Desta forma, sendo a vibração do ponto cantado, o cartão de visita da Alma, o médium além de ser ajudado na incorporação, também será informado na cantiga  “Do nome do guia”.

Facilitando assim, ao médium consciente, que se guia se apresente ao chegar no Terreiro. 

Facilitando também identificar possíveis outros guias da linhagem do médium mais experiente.

A Gira de Desenvolvimento também fortalece a incorporação do médium, fazendo com que a entidade que se manifestar permaneça do inicio até o fim dos trabalhos, e não fique incorporando e desincorporando a todo instante, ou ainda desincorporando um e incorporando outro e assim sucessivamente. Uma coroa firme, Incorpora -se o guia e este trabalhará até o fim da gira sem dificuldades.

Toda Gira é endereçada ao Axé Maior, que é nosso Pai Oxalá, deve começar sempre pelo defumador. É interessante também que se firme umas cantigas para Ogum antes da gira de exu; Já que Ogum além de ser dono de todos os caminhos, é bem considerado por exu, o que lhe dificultará seu gosto por intrigas ou pela desordem durante a gira que está por vir.  Mantendo assim a Ordem dos trabalhos.

Temos então o entendimento que Gira é o nome que se dá quando uma casa recebe pessoas de fora (assistência) para prestar-lhes assistência espiritual, nesta ocasião realiza-se a Gira que é o procedimento de se Louvar com cantos, toques e danças para todos os Orixás e também os Guias: Caboclos, preto-velhos, erês, exus, etc..


Cada Orixá tem cantigas especiais para ele. Também tem toques de atabaque especiais para ele, mais de um tipo. E tem danças associadas a ele e suas cantigas. Conhecer as cantigas, toques e danças é uma ciência. Saber quando usá-las mais ainda. Uma Gira dura entre 2 a 4 horas dependendo a boa vontade de quem faz. 

É um pouco cansativo para quem assiste e para quem trabalha nela, mas é um momento muito bonito, porque as cantigas são simples, mas muito bonitas, os atabaques são um espetáculo especial e claro as danças dos orixás e guias são um momento mágico.

Mas além de ser um momento plástico e alegre, a Gira tem um sentido liturgico e filosófico.

Liturgicamente falando a Gira é o momento em que uma casa distribui o seu axé por entre todos os presentes. Uma casa de Umbanda tem muitas atividades que geram axé através da transmutação de matéria em energia.

Normalmente quando se vai fazer uma Gira existe uma preparação liturgica que gera mais axé ainda. Assim, durante a Gira, através do movimento, da dança e dos atabaques os Orixás e Guias Espirituais se fazem presente e distribuem o axé da casa por todos os presentes.

Participar de uma Gira de Umbanda mesmo como "assistência" é a oportunidade para você ser abençoado, ser atendido em seus pedidos e necessidades, de repor o axé que perdeu. É nesta ocasião, em que alguém está participando da Gira que os Orixás e Guias vão levar suas mazelas, sua negatividade e te repor com energia positiva. Este é o sentido da presença dos Orixás e Guias Espirituais na terra.

A Gira é o portal que os traz e que permite que eles distribuam axé para as pessoas que lhes são caras.

Outro aspecto é que esta religião tem como dogma que a nossa presença nesta vida é para sermos felizes! Não nascemos para sofrer e nem para ser infelizes. Vivemos para ser felizes com as pessoas que gostamos.

Os Orixás são enviados de Olodumare, o deus supremo Yoruba, para nos ajudar a ser felizes.
Os Orixás e Guias Espirituais estão na terra para nos ajudar nas nossas dificuldades e para que nossa vida seja uma vida prospera e saudável.  

Olodumare é um deus distante. Ele não é nosso deus exclusivo, é deus de tudo o que existe na terra de todas as criaturas. Para nos socorrer ele colocou os Orixás e os Guias Espirituais e é a eles que recorremos.

Para que o culto de nossa religião fosse um momento de felicidade e alegria e não um momento de sizudes e reclusão, Olodumare estabeleceu nos versos de Ifá,  que o culto fosse repleto de felicidade e alegria.

Desta forma temos por exemplo as oferendas, que são comidas votivas que são feitas e divididas com toda a comunidade nos momentos festivos. Comida é vida e comer é em toda a humanidade um dos maiores lazeres das pessoas. Igualmente uma festa  de Orixá ou para os guias Espirituais se complementa com canto e dança. os Orixás querem ser louvados com alegria e não com a cabeça baixa, os olhos fechados e a cara triste.

Desta maneira uma Gira de Umbanda é como uma missa, é o ponto alto da louvação aos Orixás, aos Guias Espirituais, a Olodumare e à vida.

Normalmente, sempre após liturgias internas em uma casa, sempre tudo se conclui com a Gira, com a alegria e a distribuição de axé.

É assim que os Orixas querem ser lembrados e cultuados, para que isso nunca seja um peso para nós.

Louvar os Orixás nos traz alegria e comunhão, nos reforça e nos prepara para nossa jornada. Tendo então esta base, O conceito de felicidade nesta vida é completo.




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Oríoxê